Internet e redes sociais como locais do amplo diálogo

A consolidação da internet e, principalmente, das redes e mídias sociais como uma parte indissociável da vida contemporânea, possibilita a emergência de novos cenários comunicacionais. A relação das pessoas com a informação se transformou e a hegemonia do discurso sobre o que é público foi quebrada.
Segundo André Lemos, professor da Faculdade de Comunicação da UFBA, hoje a comunicação ganhou funções pós-massivas, ou seja, a exclusividade sobre a produção, veiculação, armazenamento e distribuição de conteúdos informativos não pertence mais a um único centro de poder. A qualquer um é reservado o direito de produzir informação.
Antes das mídias digitais tínhamos um centro emissor. A possibilidade de traduzir o mundo em informações era limitada aos grandes veículos comunicacionais e só possuíamos funções massivas. O chamado um para todos. A internet quebrou o pólo de emissão. Vivemos a época do todos para todos. Qualquer um que se interesse tem à sua disposição uma quantidade infinita de ferramentas para se comunicar com o mundo, seja através de blogs, micro-blogs, wikis, dispositivos móveis…
As redes sociais são a perfeita representação da era pós-massiva. Os 140 caracteres valem para todos. O debate público é mais justo, com maior igualdade de participação e maior colaboração. Os usuários constroem, juntos, o conhecimento e o juízo sobre os acontecimentos. As funções massivas contribuem para conferir maior transparência e acesso da informação à humanidade. O discurso é tensionado, não há mais monopólio sobre o conhecimento. Milhares de sites e ferramentas permitem que fotos, vídeos e textos sejam postados a todo instante na web, sem nenhum tipo de restrição.
Os grandes veículos de comunicação não perdem sua importância, no entanto, se veem obrigados a conviver com milhares de outras vozes emitindo informações instantaneamente, de qualquer lugar e sobre qualquer coisa. Hoje, no mundo, a cada segundo surge um blog e são feitos 3.283 tweets.
Um projeto de construção coletiva do conhecimento – não exatamente novo – é o Fotorepórter, do Estadão. Qualquer um pode enviar sua foto e imagem para publicação. O veiculo incorporou lógicas pós-massivas ao seu modelo de negócio. Novamente, a liberação do pólo de emissão não significa queda de importância dos veículos informativos. Representa, sim, a possibilidade de quebra da hegemonia do discurso e a possibilidade garantida a qualquer um de discutir, construir, colaborar, produzir, divulgar e opinar.
Se a internet não significa o fim da assimetria de visibilidade – poucas pessoas com acesso aos lugares de fala – certamente é um princípio de uma sociedade mais aberta ao diálogo, na qual todos podem participar. A verdade agora é – e será mais ainda no futuro – uma construção coletiva, de todos e de quem quiser falar. Fruto de um diálogo que não termina nunca.
Artigo enviado pelo leitor Giácomo Degani. Jornalismo / marketing / social media / internet / cibercultura / iPad / iPhone / QRCode / nowism / transmídia / mobile.